Especialista Alerta
Geral 27 January 2026 Domingos Santos

Gestão Personalista na Administração Pública Compromete Instituições e Interesse Colectivo

A condução de instituições públicas com base em critérios pessoais, familiares ou patrimoniais continua a ser um dos principais factores de fragilidade da Administração Pública. Quando um gestor público passa a administrar o organismo que dirige como se fosse uma extensão da sua esfera privada — comparável à casa dos seus pais ou à sua propriedade pessoal — os impactos negativos tornam-se inevitáveis e profundamente prejudiciais para o interesse colectivo.


Entre as consequências mais recorrentes deste modelo de gestão destacam-se a perseguição sistemática de colaboradores, a prática de despedimentos arbitrários e injustificados, bem como a progressiva descaracterização da identidade institucional. Em muitos casos, este processo culmina naquilo que especialistas descrevem como a “morte” da personalidade organizacional, com a perda de valores, missão e credibilidade da instituição pública.


Um dos problemas estruturais que alimenta esta realidade é o uso distorcido do conceito de “confiança” na nomeação de dirigentes. Sob o argumento da chamada confiança política ou pessoal, muitos gestores são indicados sem que sejam observados critérios mínimos de mérito, competência técnica ou experiência profissional. Estas nomeações, frequentemente motivadas por conveniência política ou acomodação financeira, colocam em funções estratégicas indivíduos manifestamente despreparados para o exercício da liderança pública.


Em situações mais graves, alguns destes gestores evidenciam comportamentos emocionalmente imaturos, marcados por inseguranças profundas, traumas pessoais não resolvidos e fragilidades psicológicas significativas. Incapazes de exercer uma liderança equilibrada, ética e responsável, acabam por reproduzir no interior das instituições padrões de autoritarismo, abuso de poder e sofrimento organizacional.


Ao invés de promoverem a meritocracia, o desenvolvimento institucional e o bem comum, estes dirigentes procuram frequentemente validação pessoal através do medo, da repressão e do exercício arbitrário da autoridade. Este tipo de actuação compromete gravemente a missão do Estado, fragiliza a confiança dos cidadãos nas instituições públicas e mina os princípios fundamentais da boa governação.


Especialistas defendem que a superação deste problema passa pelo reforço de mecanismos transparentes de recrutamento, pela valorização do mérito e da competência técnica, bem como pela promoção de uma cultura de liderança ética, responsável e orientada para o serviço público.

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